Desigualdade global é tema de debate no Anglo

Bate-papo com especialistas engaja alunos em importantes discussões


A desigualdade de renda no Brasil atingiu o maior patamar já registrado em maio deste ano, de acordo com pesquisa do estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE). O tema, de extrema complexidade e importância, entrou em debate no Colégio Anglo Leonardo da Vinci no último sábado.

Alunos do Ensino Médio e do Curso Pré-Vestibular puderam ampliar sua visão crítica de mundo com três renovamos profissionais. O jornalista Fernando Canzian, colunista e repórter especial a Folha de São Paulo, responsável pela série de reportagens “Desigualdade Global” nesse jornal, deu início à reflexão.

Ele falou sobre a problemática da estagnação da economia e da renda, e o aumento do desemprego que afeta milhares de pessoas. Quem ganha menos ainda sofre com os efeitos da crise.  Defendeu a reforma da previdência como forma de reduzir privilégio do poder público e apresentou as dificuldades da Àsia, África do Sul, EUA e a revolta na Europa em busca de melhores condições de vida.

“Não se resolve desigualdade com políticas de tirar dos ricos para dar para os pobres. Programas assistenciais, como Bolsa Família, são fundamentais, mas é preciso pensar nas políticas horizontais, na reforma da previdência e do Estado, por exemplo. O cidadão brasileiro pobre paga mais impostos que os ricos”, ressaltou.

O debate foi enriquecido com a participação de Luciana Rosa de Souza, pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo com ênfase em Economia do Setor público, Estado e Políticas Públicas, Planejamento Econômico e Economia do Bem-estar. Segundo ela, a crise tem seu lado positivo: “traz reflexões, fomenta discussões e sugere mudanças. A economia verde é uma estratégia para reduzir a desigualdade”, disse.

A fórmula para uma economia verde inclui: oferta de empregos, consumo consciente, reciclagem, reutilização de bens, uso de energia limpa e valoração da biodiversidade. Espera-se que seus resultados sejam a melhoria qualidade de vida para todos e a diminuição das desigualdades entre ricos e pobres. “A crise ambiental está aí. A questão da Amazonia não é meramente nacional. Cortam-se árvores para exportação”, acrescentou.

Fernando Ribeiro Leite Neto, doutor em ciências sociais e professor do Insper - Instituto de Ensino e Pesquisa, também criticou o sistema tributário brasileiro. “É alucinante. De 10 reais 7 são do estado”. “O que justifica o salário dos políticos? Se eles trabalham a mesma carga horária ou até menos que o setor privado? O estado determina essa história e o privilégio fica para poucos”, reforçou.


Para ele, o caminho para reduzir a desigualdade é acabar com os privilégios e os monopólios e investir nas Artes e Ciências, pois essas áreas são essenciais na organização da sociedade e da vida.

O encontro foi mediado pelo professor Vagnão, que favoreceu a troca entre os profissionais e estimulou as perguntas na plateia. “Estou feliz em ver tantos alunos em pleno sábado tão interessados e engajados em um assunto importante como esse. Aqui, o espaço ao diálogo e o estímulo ao pensamento crítico são constantes!”, ressaltou.

O Colégio Anglo Leonardo da Vinci agradece a presença do Fernando Canzian, Fernando Neto e Luciana e de todos os estudantes!